Ela se levanta do fogo e lambe suas feridas.
Espera amanhecer
As cinzas esfriarem
A água gelar.
Lava o cabelo
Lava o rosto
Lava a boca e a alma.
O vestido mais preto não lhe serviu
E o mais vermelho não lhe socorreu.
Os olhos mais curiosos a depenavam
Os olhos mais discretos a enxugavam
Os mais covardes corriam ao encontro do inverno
Deitavam, choravam e se entregavam.
Ela sempre se levanta do fogo
Ela sempre se lambia
Ela sempre esperava o gelo
Ela sempre cabia no preto
Ela sempre matava no vermelho
Ela sempre curiosa
Ela sempre discreta
Ela sempre temida.
Rendida
Cortada
Queimada.
Mentia
Fodia
E enfeitiçava.
Avra Kedabra.
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